Via Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas
Entre os dias 23 e 27 de março de 2026, foi realizada uma formação em comunicação, na comunidade Quilombo do Peixe Bravo, nos municípios de Rio Pardo de Minas e Riacho dos Machados (MG), com a presença da juventude local e comunidades vizinhas que compõem o Vale do Peixe Bravo. Promovida pelo Instituto Ekos Brasil, em parceria com o Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA/NM) e Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Riacho dos Machados, a oficina foi conduzida pelos/as jornalistas, Geanini Hackbardt da comunicação da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e Valdir Dias, da comunicação do CAA/NM.



Com objetivos de capacitar a juventude sobre o uso de ferramentas digitais, os meios de comunicação, refletir sobre a importância dela na sociedade e criar grupos de comunicadores populares, o encontro proporcionou debates teóricos sobre a interferência e estereótipos criados pela grande mídia na construção de narrativas sobre as comunidades tradicionais e o papel da comunicação popular como forma de romper com esses estereótipos e como ferramenta essencial para a luta em defesa do território, protagonizada pela juventude. A oficina também focou na capacitação técnica para produção de vídeos, textos, fotografias e publicação de conteúdos em redes sociais. Para experimentar os conhecimentos adquiridos, os participantes realizaram atividades práticas, nas quais visitaram pontos simbólicos dentro da comunidade e em seguida produziram conteúdos com as histórias captadas.






No final, foi construído um grupo de comunicadores/as populares locais, denominado como Coletivo de Comunicação do Vale do Peixe Bravo. Criou-se um perfil no Instagram e um canal no WhatsApp (Vale do Peixe Bravo), onde já foram postados os conteúdos produzidos pelos próprios jovens durante a oficina. Os perfis continuarão sob responsabilidade do grupo e serão alimentados de conteúdos que mostrarão as belezas naturais, culturais e histórias dos povos Quilombolas e Geraizeiros do Vale do Peixe Bravo.
Acesse o perfil do Instagram e veja as produções feitas pela juventude. >> @valedopeixebravo .



Em um território marcado por ancestralidade, cultura e pertencimento, o momento de formação tornou-se também uma mistura de afeto, interação, cantoria e místicas. As águas que caminham pelo Vale do Peixe Bravo conduziram a juventude a se conectaram com a natureza e sentirem pertencentes daquele lugar. Às margens do rio despertaram olhares de valorização, transformando em paisagens fotografadas e escritas. A igreja, museu e o pé de jatobá trouxeram memórias, simbologia e registros que marcam ancestralidade e ficarão presentes na juventude. E, para celebrar o momento, houve uma noite cultural com músicas, poesia, comidas e muita animação.



Documentário
Assista ao documentário no qual apresenta como foi a realização da oficina de formação, com relatos, imagens da comunidade e o pertencimento e conexão da juventude com o território, natureza e tradição. O documentário foi gravado durante a formação com a participação da juventude.
Assista:
A formação contribuiu para o fortalecimento da narrativa comunitária, a produção inicial de conteúdos próprios (textos, fotografias e vídeos) e o aumento da capacidade de mobilização das comunidades tanto no ambiente digital quanto no território. Além disso, houve avanço significativo na preparação dos participantes para identificar, enfrentar e responder a processos de desinformação, notícias falsas e estratégias de criminalização das lideranças e lutadores populares. A comunicação popular que engaja e desperta olhares sensíveis e de valorização ao território. Comunicação protagonizada por jovens que carregam consigo ancestralidade e essência e, o amor pela identidade motiva a contar as histórias do território com dignidade, beleza e pertencimento.
Por Valdir Dias da Silva – CAA/NM


