{"id":893,"date":"2025-12-01T15:37:43","date_gmt":"2025-12-01T18:37:43","guid":{"rendered":"https:\/\/observatorioriopardo.com.br\/?p=893"},"modified":"2026-03-26T16:50:41","modified_gmt":"2026-03-26T19:50:41","slug":"carta-manifesto-da-missao-rio-pardo-mg-ba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatorioriopardo.com.br\/index.php\/2025\/12\/01\/carta-manifesto-da-missao-rio-pardo-mg-ba\/","title":{"rendered":"Carta Manifesto da Miss\u00e3o Rio Pardo (MG\/BA)"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>RIO PARDO, UM RIO MARCADO PARA RESISTIR!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"2048\" height=\"1112\" src=\"https:\/\/observatorioriopardo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/495A8870.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-894\" srcset=\"https:\/\/observatorioriopardo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/495A8870.jpg 2048w, https:\/\/observatorioriopardo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/495A8870-300x163.jpg 300w, https:\/\/observatorioriopardo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/495A8870-1024x556.jpg 1024w, https:\/\/observatorioriopardo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/495A8870-768x417.jpg 768w, https:\/\/observatorioriopardo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/495A8870-1536x834.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 2048px) 100vw, 2048px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Miss\u00e3o Rio Pardo, comunidade Sobrado, Rio Pardo de Minas-MG. Foto: Valdir Dias\/CAA<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A Articula\u00e7\u00e3o Rio Pardo Vivo e Corrente realizou entre os dias 21 e 23 de novembro de 2025, nos estados de Minas Gerais e Bahia, a \u201cMiss\u00e3o Rio Pardo: um rio marcado para resistir\u201d. Este espa\u00e7o foi constru\u00eddo por comunidades e organiza\u00e7\u00f5es populares do Alto, M\u00e9dio e Baixo Rio Pardo com o objetivo de promover o interc\u00e2mbio das experi\u00eancias de luta, unificar as den\u00fancias sobre os graves problemas socioambientais que assolam a bacia e, principalmente, fortalecer a articula\u00e7\u00e3o e a unidade entre as popula\u00e7\u00f5es guardi\u00e3s dos territ\u00f3rios nesses dois estados.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa Miss\u00e3o celebrou os dez anos de exist\u00eancia da Articula\u00e7\u00e3o Rio Pardo, que nasceu em julho de 2015 em uma reuni\u00e3o no munic\u00edpio de Canavieiras-BA, com o prop\u00f3sito de promover uma atualiza\u00e7\u00e3o cr\u00edtica sobre a conjuntura e a situa\u00e7\u00e3o de nossos corpos h\u00eddricos, buscando uma s\u00edntese coletiva sobre os principais desafios enfrentados pelo povo que vive e depende desta Bacia.<\/p>\n\n\n\n<p>O encontro que deu origem \u00e0 Articula\u00e7\u00e3o em 2015 ocorreu vinte e cinco anos ap\u00f3s o lan\u00e7amento do document\u00e1rio \u201cRio Pardo: um rio marcado para morrer\u201d, obra que j\u00e1 denunciava uma triste tend\u00eancia para o rio e para suas comunidades, marcada pela constru\u00e7\u00e3o de barragens, remo\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias sem indeniza\u00e7\u00e3o adequada, apropria\u00e7\u00e3o indevida das \u00e1guas pelo latif\u00fandio e pela monocultura de exporta\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da desigualdade no acesso \u00e0 \u00e1gua, um direito humano fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p>Este momento foi crucial para nos reconhecermos como seres que habitam um mesmo corpo: o Rio Pardo, que nasce em Montezuma-MG, des\u00e1gua em Canavieiras-BA e em seu trajeto \u00e9 alimentado por centenas de afluentes e mem\u00f3rias. O encontro foi ainda mais importante para compreendermos que esse corpo, que garante a vida de milhares de fam\u00edlias, se encontra doente, v\u00edtima de uma l\u00f3gica de desenvolvimento destrutiva e antipopular.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da\u00ed, muitos outros encontros foram realizados nos territ\u00f3rios, nas comunidades e nos munic\u00edpios que comp\u00f5em a Bacia. Diversas organiza\u00e7\u00f5es articuladas e em luta denunciaram a expans\u00e3o do monocultivo de eucalipto, a amea\u00e7a do mineroduto que pretende rasgar nossos territ\u00f3rios, o sequestro das \u00e1guas para a grande irriga\u00e7\u00e3o, a especula\u00e7\u00e3o mineral, a gest\u00e3o desigual das \u00e1guas pelo Estado, entre tantas outras problem\u00e1ticas que assolam esse grande corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo o processo de articula\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o e luta desenvolvido nos territ\u00f3rios demonstrou, com base na experi\u00eancia das comunidades, que os desafios expostos no document\u00e1rio h\u00e1 35 anos atr\u00e1s, n\u00e3o apenas n\u00e3o foram resolvidos, como se aprofundaram e ganharam novos elementos de contradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2015, quando surgiu a Articula\u00e7\u00e3o Rio Pardo, haviam outorgas para o uso legal de 17 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos da calha principal do rio. Quase 10 anos depois, em 2024, esse n\u00famero avan\u00e7ou para 51 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos, 413 outorgas em Minas Gerais e na Bahia, sendo a maioria para a irriga\u00e7\u00e3o de monocultivos para a exporta\u00e7\u00e3o, especialmente o caf\u00e9 e um crescente aumento no n\u00famero de outorgas para as atividades relacionadas \u00e0 minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa pol\u00edtica de concess\u00f5es tem aprofundado a crise clim\u00e1tica em curso e garantido o lucro de grandes empresas e do capital financeiro, enquanto prejudica o abastecimento h\u00eddrico no campo e na cidade, dificultando a produ\u00e7\u00e3o da agricultura familiar que garante a alimenta\u00e7\u00e3o de qualidade para nosso povo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por toda a bacia comunidades denunciam a dificuldade no acesso \u00e0 \u00e1gua, a grilagem de terras p\u00fablicas, o uso indiscriminado de agrot\u00f3xicos, o desmatamento, queimadas, o avan\u00e7o da especula\u00e7\u00e3o e da atividade mineral, a polui\u00e7\u00e3o dos c\u00f3rregos, o poder p\u00fablico subordinado aos interesses privados entre tantas outras quest\u00f5es que est\u00e3o comprometendo a vida das popula\u00e7\u00f5es e da natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse cen\u00e1rio desafiador revela uma verdade basilar para a luta dos povos e comunidades do Rio Pardo: se os problemas enfrentados pelo povo desta bacia partem de uma mesma estrutura, as solu\u00e7\u00f5es precisam, necessariamente, ser pensadas e constru\u00eddas coletivamente entre todas essas popula\u00e7\u00f5es. Somente a unidade das lutas entre geraizeiros, pescadores, marisqueiras, agricultores familiares, acampados e assentados da reforma agr\u00e1ria, trabalhadores urbanos, jovens e mulheres ser\u00e1 capaz de reverter a sina desse rio que foi marcado para morrer.<\/p>\n\n\n\n<p>As comunidades em luta enfrentam esses problemas atrav\u00e9s da organiza\u00e7\u00e3o popular com a\u00e7\u00f5es concretas de defesa do territ\u00f3rio, como o cercamento e o reflorestamento de nascentes, leis de iniciativa popular, gest\u00e3o coletiva das \u00e1guas, forma\u00e7\u00e3o com as mulheres e a juventude, fortalecimento das pr\u00e1ticas agroecol\u00f3gicas de produ\u00e7\u00e3o e da articula\u00e7\u00e3o com diversos setores da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio um amplo trabalho de organiza\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o e luta para anunciar o acesso \u00e0 \u00e1gua com um direito humano essencial, um bem comum da natureza que, portanto, n\u00e3o pode ser submetida \u00e0 l\u00f3gica capitalista que transforma tudo e todos em mercadoria. Nossa tarefa consiste em construir um debate permanente com a sociedade e formar redes locais, nacionais e internacionais para enfrentar com coragem a l\u00f3gica espoliadora do atual modelo de desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, conclamamos todos e todas para a continuidade deste mutir\u00e3o do povo. Que as b\u00ean\u00e7\u00e3os dessas \u00e1guas e a for\u00e7a das comunidades proporcionem o in\u00edcio de um novo e promissor ciclo de solidariedade e luta na Bacia do Rio Pardo, formando uma poderosa rede de militantes em defesa das \u00e1guas. \u00c9 somente na organiza\u00e7\u00e3o do poder popular do campo e da cidade que conseguiremos reverter esta situa\u00e7\u00e3o e garantir um Rio Pardo Vivo e Corrente!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Vit\u00f3ria da Conquista, 23 de novembro de 2025.<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Assinam esse manifesto:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Articula\u00e7\u00e3o Rosalino Gomes de Povos e Comunidades Tradicionais do Norte de Minas<\/p>\n\n\n\n<p>Associa\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria de Trabalhadores e Trabalhadoras por Direitos &#8211; Vit\u00f3ria da Conquista-BA<\/p>\n\n\n\n<p>Associa\u00e7\u00e3o de Agricultores Familiares da Comunidade de Quilombo de Thiagos &#8211; Ribeir\u00e3o do Largo-BA<\/p>\n\n\n\n<p>Associa\u00e7\u00e3o de Desenvolvimento da Comunidade de Cachoeira &#8211; Ribeir\u00e3o do Largo-BA<\/p>\n\n\n\n<p>Associa\u00e7\u00e3o de Moradores da Barra da Lagoa &#8211; C\u00e2ndido Sales-BA<\/p>\n\n\n\n<p>Associa\u00e7\u00e3o de Moradores e Pequenos Produtores Rurais de Lagoa Verde &#8211; C\u00e2ndido Sales-BA<\/p>\n\n\n\n<p>Associa\u00e7\u00e3o de Moradores e Pequenos Produtores Rurais de Mandacaru &#8211; C\u00e2ndido Sales-BA<\/p>\n\n\n\n<p>Associa\u00e7\u00e3o de Moradores e Pequenos Produtores Rurais do Povoado do Esp\u00edrito Santo &#8211; C\u00e2ndido Sales-BA<\/p>\n\n\n\n<p>Associa\u00e7\u00e3o de Trabalhadores e Pequenos Produtores Rurais de Vila Corina &#8211; Encruzilhada-BA<\/p>\n\n\n\n<p>Associacao dos Agricultores da Comunidade Rural da \u00c1gua Vermelha &#8211; Itarantim-BA<\/p>\n\n\n\n<p>Associa\u00e7\u00e3o dos Pequenos Produtores do Vale do Mangerona &#8211; Encruzilhada-BA<\/p>\n\n\n\n<p>Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores Rurais da Zona do Mandim de Cima &#8211; Itarantim-BA<\/p>\n\n\n\n<p>Associa\u00e7\u00e3o M\u00e3e dos Extrativistas da Resex de Canavieiras-BA (AMEX)<\/p>\n\n\n\n<p>Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA\/NM)<\/p>\n\n\n\n<p>Centro de Estudos e A\u00e7\u00e3o Social (Ceas)<\/p>\n\n\n\n<p>Comiss\u00e3o de Ecologia Integral e Minera\u00e7\u00e3o da Arquidiocese de Vit\u00f3ria da Conquista-BA<\/p>\n\n\n\n<p>Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT)<\/p>\n\n\n\n<p>Comiss\u00e3o Popular de Meio Ambiente de Encruzilhada-BA<\/p>\n\n\n\n<p>Comiss\u00e3o Popular de Meio Ambiente de Itarantim-BA<\/p>\n\n\n\n<p>Comunidade Tradicional Geraizeira de Sobrado-MG<\/p>\n\n\n\n<p>Comunidades Azules &#8211; Am\u00e9rica Latina<\/p>\n\n\n\n<p>Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente &#8211; Mascote-BA<\/p>\n\n\n\n<p>Cooperativa dos Assentados, Acampados e Quilombolas do Sul da Bahia (Coopceta)<\/p>\n\n\n\n<p>Frente dos Trabalhadores Livres (FTL)<\/p>\n\n\n\n<p>Funda\u00e7\u00e3o Conquistense Edivanda Maria Teixeira &#8211; Vit\u00f3ria da Conquista-BA<\/p>\n\n\n\n<p>Grupo Cultural Boi Estrela &#8211; Santa Luzia-BA<\/p>\n\n\n\n<p>Grupo de Mulheres Crioulas do Quilombo Lagoa de Melqu\u00edades e Am\u00e2ncio &#8211; Vit\u00f3ria da Conquista-BA<\/p>\n\n\n\n<p>Grupo de Pesquisa GeografAR\/UFBA<\/p>\n\n\n\n<p>HEKS\/EPER<\/p>\n\n\n\n<p>Movimento Articulado dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais do Alto Rio Pardo (Mastro)<\/p>\n\n\n\n<p>Movimento de Luta pela Terra (MLT)<\/p>\n\n\n\n<p>Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)<\/p>\n\n\n\n<p>Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)<\/p>\n\n\n\n<p>Movimento dos Trabalhadores Acampados, Assentados e Quilombolas da Bahia (Ceta)<\/p>\n\n\n\n<p>Movimento Geraizeiro \u201cGuardi\u00e3o do Cerrado\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Movimento pela Soberania Popular na Minera\u00e7\u00e3o (MAM)<\/p>\n\n\n\n<p>Partido Socialismo e Liberdade (Psol\/Camac\u00e3-BA)<\/p>\n\n\n\n<p>Sindicato dos Trabalhadores Rurais de C\u00e2ndido Sales-BA<\/p>\n\n\n\n<p>Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Indaiabira-MG<\/p>\n\n\n\n<p>Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras-MG<\/p>\n\n\n\n<p>Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Assalariados e Agricultores Familiares do Munic\u00edpio de Rio Pardo de Minas-MG<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RIO PARDO, UM RIO MARCADO PARA RESISTIR! 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