
Santa Luzia (BA) | O cercamento de uma nascente no Projeto de Assentamento Coary Terra Boa (Movimento CETA) tem contribuído para recuperar o fluxo de água e fortalecer a vida de famílias camponesas da reforma agrária no sul da Bahia. Realizada em 2025, com apoio do Ceas, a iniciativa protege uma área de 8.000 m² e leva água para a casa de 22 famílias.
José Augusto, morador do assentamento, relata que antes do cercamento, a nascente estava desativada e a maioria das famílias tinha dificuldade no acesso a água de qualidade: “antes a gente não tava tendo mais água caindo nas nossas torneiras, mas graças a Deus que deu tudo certo.”
O morador conta que o processo “envolveu muitas mãos”, de forma que a comunidade está mais engajada no cuidado, na manutenção e na gestão coletiva da nascente. Essa conquista concreta contribuiu na qualidade de vida das famílias que passaram a ter a sua água encanada para o uso doméstico, após anos de luta pela terra e de impasse com o Estado. José Augusto comemora: “cercamos direitinho, estamos cuidando e a água agora tá boa”, conclui.
De acordo com Clodoaldo Silva (CETA), após os mutirões de cercamento, “a comunidade relatou melhoria no volume e na qualidade água, processo que animou os agricultores a participarem de maneira mais engajada no processo político comunitário.”
Motivado pelo trabalho coletivo, o processo de cercamento envolveu juventude, homens e mulheres em um mutirão de proteção física de uma nascente, mas também um mutirão de organização política retomado no assentamento.
Essa área se soma a mais 16 nascentes cercadas pelas comunidades em parceria com o Ceas, nos territórios do Médio e do Baixo Rio Pardo. O projeto visa, sobretudo, fortalecer a organização comunitária e a economia das famílias camponesas, em territórios pressionados por atividades como a monocultura de café e eucalipto, a atividade e a especulação mineral, o desmatamento, entre outras.


