Mulheres do MAB utilizam arte têxtil chilena na luta em defesa do rio Pardo

Atividade formativa aconteceu entre os dias 5 e 7 de junho na Escola Família Agrícola Nova Esperança em Taiobeiras-MG.

Foto: MAB

Em meio à crescente ameaça aos recursos hídricos no norte de Minas Gerais, mulheres organizadas pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) promoveram, de 5 a 7 de junho, um processo de formação na Escola Família Agrícola Nova Esperança. O evento une denúncia, memória e resistência por meio da arpillera, técnica têxtil de origem chilena.

As atividades fazem parte da luta em defesa do rio Pardo, Jequitinhonha e seus afluentes. Por meio da costura e do bordado, as mulheres resgatam vivências e saberes construídos nessa bacia, retratando como ele era vivo e corrente, e como vem sendo devastado com o avanço do agronegócio.

A principal crítica recai sobre o uso desordenado da água, marcado pela captação predatória e pela degradação ambiental voltada aos interesses do grande capital. Em uma região já marcada pela escassez hídrica, o rio Pardo sofre com projetos ditos de “desenvolvimento” regional, que na prática aprofundam a destruição dos bens naturais.

“Este trabalho fortalece cada vez mais a luta e a organização popular em defesa da Bacia do Rio Pardo”, destacam as organizadoras. A iniciativa também evidencia a força das mulheres em marcha, que se colocam na linha de frente contra o avanço de barragens e outros empreendimentos que ameaçam os territórios e as comunidades tradicionais.

A escolha da arpillera, técnica historicamente usada por mulheres chilenas durante a ditadura militar para denunciar violações e manter viva a memória, não é à toa. A arte têxtil se soma à tradição de resistência popular, transformando linhas e retalhos em ferramentas de denúncia e esperança.

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